Papa fala que Deus tem “milhares de modos” de tocar a alma

Vaticano, 13 Out. 10 / 06:47 pm (ACI).

Na Audiência Geral desta quarta-feira e ante 40 mil fiéis presentes na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI refletiu sobre a vida da beata italiana Angela de Foligno (1248 – 1309). Dela, disse o Papa, os católicos podem aprender que o segredo da verdadeira conversão está na oração e que só no esforço cotidiano que passa por Cristo crucificado pode-se chegar a viver intensamente o autêntico amor, o amor de Deus que tem “milhares de modos” de tocar a alma humana.

Nesta “grande mística medieval” causam admiração habitualmente, disse o Papa, “os cumes da experiência de sua união com Deus, mas possivelmente se consideram pouco seus primeiros passos, sua conversão e o longo caminho que a levou desde o ponto de partida, o ‘grande temor do inferno’, até a meta: a união total com a Trindade”.

Angela nasceu em uma família acomodada e recebeu uma educação mundana. Casou-se jovem e teve vários filhos. Sua vida era despreocupada até que alguns acontecimentos dramáticos, como o violento terremoto de 1279 e as conseqüências da guerra contra a cidade de Perugia a fizeram repensar o sentido de sua existência.

Em 1285 em uma visão pôde ver São Francisco de Assis, a quem pediu que a aconselhasse para fazer uma confissão geral de seus pecados. Três anos depois, falece toda sua família e Angela vende todos seus bens para entrar em 1291 na Terceira Ordem Franciscana.

Sua história está recolhida por seu confessor no “Livro da beata Angela de Foligno”.
Ao princípio de seu percurso espiritual, a beata sente medo do inferno por seus pecados. O Papa explicou que “este temor corresponde ao tipo de fé que Angela tinha no momento de sua conversão; uma fé ainda pobre de caridade, quer dizer do amor de Deus. O arrependimento, esse medo ao inferno e a penitência lhe abrem a perspectiva do doloroso caminho da cruz que a levará ao caminho do amor”.

Seguidamente Bento XVI assinalou que “Angela sente que deve dar algo a Deus para reparar seus pecados, mas lentamente compreende que não tem nada que dar-lhe, que não é nada perante Ele e entende que não será sua vontade a que lhe dará o amor de Deus porque esta pode lhe dar somente seu ‘nada’, seu ‘não amor’. Pouco a pouco em seu caminho místico entenderá ‘profundamente a realidade central: o que a salvará de sua indignidade e do inferno não será sua ‘união com Deus’, nem sua posse da ‘verdade’, mas Jesus crucificado, seu amor. Identificar-se, transformar-se no amor e nos sofrimentos de Cristo crucificado”.

O Papa disse logo que “a conversão de Angela amadurecerá apenas quando o perdão de Deus se apresentará à sua alma como o dom gratuito do amor do Pai, fonte de amor. Em seu itinerário espiritual, o passo da conversão à experiência mística, pelo que se pode expressar ao inexpressável, passa pelo Crucificado”.

“Toda sua experiência mística é, portanto, tender a uma perfeita semelhança com Ele, mediante purificações e transformações sempre mais profundas e radicais. Essa identificação significa também viver o que Jesus viveu: pobreza, desprezo, dor. Um caminho muito alto, cujo secreto é a oração constante”, concluiu.

Em sua saudação em português o Papa Bento XVI saudou “com profunda amizade os peregrinos lusófonos presentes nesta Audiência, particularmente os fiéis portugueses de Valongo e os brasileiros de Ribeirão Pires, Porto Alegre e São Paulo. Sobre todos invoco as luzes e bênçãos do Céu que possam, a exemplo da Baeta Ângela de Foligno, ajudar-vos a compreender o quanto Cristo nos amou e nos ama. Ide com Deus. Obrigado!”.

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